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Rio das Pedras, Verso & Prosa

As falhas nossas de cada dia

Humberto Scarazatti

            Vamos falar de falhas? Quem não tem?

            Uma das coisas que fascinam na cidade de San Francisco é ela estar localizada sobre a falha de San Andréas, um desnível no terreno da região que provoca pequenos abalos sísmicos de vez em quando e grandes terremotos de tempos em tempos.

            Você está deslumbrado caminhando pela cidade, apreciando a arquitetura, a baía, a ponte e, de uma hora para outra, pode perder o chão, ver tudo sair do lugar, ficar tontinho, tontinho. É pouco provável que vá acontecer justo quando você estiver lá, mas existe a possibilidade, e isso amedronta mas ao mesmo tempo excita, vai dizer que não?

            Assim são também as pessoas interessantes: têm falhas. Pessoas perfeitas são como Viena, uma cidade quase perfeita. Linda, sem fraturas geológicas, onde tudo funciona e você quase morre de tédio, aquele lugar é frio como as pessoas que lá vivem.

            Pessoas, como cidades, não precisam ser excessivamente bonitas. É fundamental que tenham sinais de expressão no rosto, um nariz com personalidade, um vinco ou uma pinta na testa que as caracterize, um morro, um buraco, um lixão a céu aberto, fatores que as distinguem.

            Pessoas, como cidades, precisam ser limpas, mas não a ponto da perfeição.

            É importante suar na hora do cansaço, ter também um cheiro próprio, uma camiseta velha para dormir, um jeans quase transparente de tanto que foi usado, um óculos de sol já meio fora de moda e um tanto ensebado, que insiste em permanecer no painel do carro, uma caneta Bic sem tampinha perdia pela casa de forma que, quando a procuramos não achamos e, quando não precisamos, ela é encontrada em todos os lugares. E nas cidades torres inclinadas, obras intermináveis, semelhanças comuns.

            Pessoas, como cidades, têm que funcionar, mas não devem ser previsíveis. De vez em quando, sem abusar muito da licença, devem ser insensatas, ligeiramente passionais, um pouco rebeldes, demonstra um certo desatino ir contra alguns prognósticos, cometer erros de julgamento e pedir perdão depois, pedir perdão sempre para poder ter crédito e errar outra vez.

            Pessoas, como cidades, devem dar vontade de visitar, devem satisfazer nossa necessidade de viver momentos sublimes, devem ser calorosas, ser generosas e abrir suas portas, devem nos fazer querer voltar, porém não devem nos deixar 100% seguros, nunca. Uma pequena dose de apreensão e cuidado devem provocar.

            Pessoas, como cidades, devem trazer lembranças boas, saudades de tempos que foram melhores mas que, com certeza, também não voltam mais.

            Nunca devem deixar os outros esquecerem que pessoas, assim como cidades, têm rachaduras internas, impurezas e defeitos estampados na sua paisagem deveras gasta pelo tempo; portanto, devem surpreender, gerar emoção.

            As pessoas e as cidades são coniventes e conviventes: uma depende da outra. Uma mostra as suas falhas para a outra e ambas tentam, no decorrer de sua história, sana-las da melhor maneira.

            Falhas? Talvez não haja no paraíso? Quem pode me afirmar?

            Agradeça as suas, que é o que humaniza você e fascina os outros. Toda vez que as reconhecemos somos tidos como melhores, como seres em aperfeiçoamento.

Humberto Scarazatti

 

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